24/02/2015

Coisas que me enervam um bocadinho na Alemanha

É uma pessoa precisar de recorrer a um serviço e ser atendida com ar de frete.
Por ar de frete entenda-se suspirar por falta de paciência e revirar de olhos (este menos vezes, mas já me aconteceu).
Se acontece cada vez que recorro a um serviço estatal, quando vou ao banco, quando vou a uma loja ou a um qualquer supermercado? Não. Não acontece sempre, mas garanto que acontece muitas mais do que aquelas que são "razoáveis". As primeiras vezes uma pessoa fica constrangida, depois pensa cá para si: "falássemos a mesma língua e cantava-te dois fadinhos" e por fim uma pessoa habitua-se.
Não é fácil ser Ausländer. E quando se o é sem conhecimento da língua, ainda pior. 
Como não tenho alemão suficiente, no banco falo sempre em inglês. Nem sempre os funcionários se sentem confortáveis com a situação e mesmo quando têm claramente um bom nível de inglês não são tão expansivos nas informações que prestam. 
Hoje fui à O2 para carregar o telemóvel pela primeira vez. É uma operação que percebi que não consigo fazer no multibanco (o multibanco alemão é muito fraquinho) e por isso tenho de ir à loja. Falei em alemão. Pedi à senhora para me explicar o procedimento (mencionei que nunca o tinha feito antes) e ela sempre muito antipática lá me disse como se eu tivesse quatro anos: paga 15€ aqui na loja, entrego-lhe um código que tem de marcar no telémovel e depois de inserido o código carrega na tecla verde. Pelo tom percebi que estava um bocadinho horrorizada por uma pessoa ter de perguntar na O2 como se carrega o telemóvel. No final, sorri e agradeci-lhe imenso a ajuda. Ela sorriu-me também e desejou-me cordialmente um resto de bom dia. Eu fico irritada, mas depois passa. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. 

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